Descarte incorreto de medicamentos: cada quilo contamina até 450 mil litros de água

January 29, 2017

Redes de farmácias e supermercados participam de programas voluntários de coleta de resíduos de remédios.

 

O Brasil é o sétimo país do mundo em venda de medicamentos, com cerca de 70,4 mil farmácias, e pode chegar à quinta em 2020, segundo a Fundação Oswaldo Cruz.

De acordo com a consultoria IMS Health, o mercado farmacêutico no Brasil cresceu 11% em 2015 em relação a 2014, faturando R$ 46,4 bilhões. Este segmento deve atingir, em 2017, R$ 87 bilhões.

Pesquisas do Núcleo de Regulação e Boas Práticas Regulatórias (Nureg), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apontam que são descartadas de 10 a 20 mil toneladas de medicamentos por ano no Brasil.

Em paralelo, cada quilo destinado irregularmente pode contaminar até 450 mil litros de água. Tais números, divulgados pela companhia Brasil Health Service (BHS), transcrevem a importância da destinação correta de remédios vencidos ou não mais utilizados.

"Mais de 90% da população brasileira descarta seus medicamentos fora do prazo de validade no lixo ou no vaso sanitário", pontua Claudia Tereza Caresatto, docente do Técnico em Farmácia do Senac Tiradentes. E complementa: "dessa forma, ocorre a contaminação da água e do solo, ampliando o aparecimento de lixões e contribuindo com a intoxicação de pessoas que sobrevivem dos aterros sanitários".

Ainda hoje não há regulamentação específica, no âmbito nacional, relacionada ao gerenciamento e à destinação final desses produtos. "Daí a dificuldade em mensurar a quantidade de resíduos gerada", contextualiza Claudia. Contudo, em 2013, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) publicou um edital de chamamento para a elaboração do acordo setorial que irá definir o funcionamento de tal sistema no Brasil.

Perigos ao ecossistema 
Dentre os riscos do descarte inadequado, estão: reações adversas graves e intoxicações, derivadas do reuso indevido das sobras dos remédios, e agressões ao meio ambiente, decorrentes da contaminação da água, do solo e de animais.

"Em estações de tratamento de água, esgoto doméstico e fontes naturais, há concentrações consideráveis de substâncias provenientes dos medicamentos, como antibióticos e hormônios, que podem desequilibrar toda a dinâmica local", explica.

Além de medicamentos descartados aleatoriamente, há outras fontes de contágio por fármacos, como eliminação por fezes e urina e resíduos de antibióticos rurais. Essa classe medicamentosa, exemplifica a docente, pode agir como selecionador de microrganismos, já que elimina os menos resistentes, permitindo a permanência de linhagens mais fortes.

Coleta 
Para minimizar tais problemas e contribuir com o uso racional dos medicamentos, os exemplares devem ser levados para locais de coletas específicos para esse fim, adverte Claudia. "Vencidos ou fora de uso, em suas embalagens originais ou não", complementa.

Desde 2009, estabelecimentos como redes de farmácias e supermercados participam de programas voluntários de coleta de resíduos de medicamentos. Além de tais locais, "é possível realizar a destinação correta nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nas Assistências Médicas Ambulatoriais (Amas) de São Paulo".

Já as caixas de papel e as bulas, que não têm contato direto com o medicamento, podem ser descartadas no lixo reciclável. Esse material não é tóxico ao meio ambiente. 


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